Duplamente vítimas de sexting : criminalização no âmbito profissional

Bondi_skole_schoolyard_2011_09_16

O fenômeno do sexting, anglicismo proveniente da conjugação sex (sexo) + texting (envio de SMS), é uma prática crescente . Se no início circunscrevia-se ao envio e recebimento de imagens e vídeos de conteúdo sexual através de telefones celulares, atualmente tem abrangido outros aparelhos digitais, como os computadores, ampliando também as suas consequências.

Um dos principais riscos derivados da prática de sexting é a sextorsão, ser vítima de uma chantagem sexual originada a partir do  envio de imagens próprias. O objetivo  da coação vai desde ganhar dinheiro até obter mais vídeos ou fotos eróticas. A ameaça ligada , geralmente, é sempre a mesma e consiste na publicação das imagens ou no envio aos/às parentes, amigos/as  e pessoas queridas.

Porém, às vezes as coações vão mais além e atingem não só a vida pessoal ,mas também a vida profissional da vítima, seja ela estudante ou trabalhadora. A vinculação das imagens eróticas com a web da instituição de ensino ou com a empresa empregadora pode não somente afetar a sua vida pessoal,  como também arruinar  sua vida profissional presente e futura.

No entanto, da mesma forma que chamamos a atenção para  a importância de que parentes e amigos/as  ajudem às vítimas de sextorsão, também devem fazê-lo as instituições em que elas participam. A solução não está em criminalizar a quem sofre coações, isso só intensifica o problema. Consiste, porém, em oferecer apoio à vítima e em identificar o autor ou a  autora para, depois, iniciar uma campanha de repúdio contra essas  práticas e, se for necessário, acudir à polícia.

É mais, também não consiste em ignorar o problema, pois só reafirma  a vítima na sua condição. O caso de Amanda Todd é exemplo disso. Durante três anos sofreu cyberbullying de seus/suas colegas em diferentes escolas sem que essas instituições fizessem  nada. Uma captura  da imagem da sua webcam enquanto ela, com 12 anos, estava sendo  enganada para mostrar seus seios e seu  posterior envio aos amigos/as  e parentes por parte do aliciador, foi o início do seu calvário, o qual, infelizmente, finalizou-se somente com o seu suicídio.

Devemos, então, ter sempre claro que quem aparece na foto é vítima de um delito e, em nenhum caso, está manchando o nome de instituição nenhuma, seja ela qual for. Tirar-se fotos de conteúdo erótico e enviá-las é uma prática que se enquadra em uma relação íntima e não fere ninguém. Por isso, toda ação que traia essa confiança merece um absoluto repúdio assim como um total apoio a quem está vendo sua honra, intimidade e privacidade violadas.

 

Nossas vidas podem ser seguidas através do que publicamos na Rede

partilhamos-redes-sociais-trendlabs-trendmicro-frag

Compartilhamos demasiada informação pessoal nas redes sociais. Em muitos casos fazemo-lo por inércia, sem pensar e sem valorizar os riscos para nossa pessoa ou para os demais. A TrendMicro publicou uma infografia com estatísticas dos dados que publicamos em redes como Facebook, Twitter, Pinterest, Tumblr… e dos perigos associados: cyberbullying, roubo de identidade, danos à reputação online… mesmo perigos no mundo físico (offline) como o roubo ou o acosso.

Fonte: GenBeta Social Media