Sexting no Brasil: envio e publicação

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Segundo a definição primigênia de sexting, a qual também foi utilizada no percurso da pesquisa “Sexting, uma ameaça desconhecida”, esta prática consiste no envio de mensagens com conteúdo sexual, principalmente fotos ou vídeos, produzidos pela própria pessoa remetente ou com sua permissão, a outras pessoas através do celular.

Porém, como afirma Jorge Flores, Diretor e Fundador de TelasAmigas, “este termo tem se ampliado. Hoje utiliza-se também para se referir à mera transmissão de imagens de alto conteúdo sexual entre celulares sem a intervenção do protagonista ou para proporcionar imagens sensuais a terceiras pessoas, embora não tenham sido tiradas nem enviadas pelo smartphone”. Mudanças no significado que atingem principalmente ao sujeito que bate a foto ou filma o vídeo e aos canais de envio ou publicação das imagens.

No Brasil 27% das pessoas que responderam à enquete afirmaram possuir fotos ou vídeos envolvendo nudez, mas a porcentagem da população que publicou-as nas suas redes sociais é menor, 9% as subiram aos seus perfis, mesmo de forma privada ou restrita para seus contatos específicos. Aqui o comportamento de homens e mulheres é diferente. Eles possuem tanto mais fotos quanto mais vídeos envolvendo nudez do que elas, 21% frente a 16% e 11% frente a 9% respectivamente. Mas considerando apenas as imagens realizadas por outras pessoas a proporção também é alta e diferente segundo o sexo, 9% delas e 11% deles tiveram fotos tiradas por outras pessoas e 4% delas e 6% deles foram filmadas.

Mas o consentimento é uma variável muito importante a ter em conta. Pois 3% dos homens e das mulheres tiveram tiradas fotos de conteúdo sexual sem sua permissão e 1% delas e 3% deles foram filmados da mesma forma. O fato dessas imagens terem sido feitas sem sua permissão revela um grande risco de posterior divulgação, pois se a opinião da pessoa que aparece nas imagens não foi levada em conta na hora da sua realização, não parece existir razão para que o seja no futuro.

Contudo, também não se deve tirar importância do fato das pessoas tirarem fotos ou vídeos delas. No início parece uma prática sem risco, mas casos como o que aconteceu com a atriz Carolina Dieckmann –cujas fotos foram vazadas do seu computador e divulgadas na internet- revelam como sempre que estejam armazenadas podem ser acessadas por outra pessoa, mais ainda quando estiverem no celular, aparelho mais susceptível de ser perdido ou furtado.

Com respeito ao envio de sexting, os homens praticam-no muito mais do que as mulheres. Quase a metade, 44% deles, mandou fotos, vídeos ou mensagens de conteúdo sexual, enquanto a porcentagem de mulheres foi 11 pontos menor. Elas apenas superam os homens no envio de mensagens de texto de conteúdo sexual próprio, 72% frente a 67%, mas quando são de outras pessoas já mandam menos, 24% frente a 25%.

Enquanto ao envio de fotos e vídeos, sejam das próprias pessoas remitentes ou de outras, eles enviam mais do que elas. 32% dos homens afirmaram ter enviado fotos suas nus, 32% ter mandado fotos de outras pessoas nuas, 17% encaminharam vídeos próprios de conteúdo sexual e 24% vídeos de terceiras pessoas. Elas afirmam não mandar tanto sexting e a porcentagem é especialmente menor em relação aos vídeos, 9% delas mandou vídeos nuas percentagem que se repete quando aqueles eram de outras pessoas. As mulheres também enviam mais fotos, 29% mandaram imagens próprias de conteúdo sexual e 10% fotos de outras pessoas.

Os canais de envio preferidos dependem do tipo de conteúdo que esteja se mandando. Para as fotos íntimas 49% escolheram aplicativos de envio de mensagens e 48% as redes sociais, para os vídeos íntimos 25% optaram pelas redes sociais e 24% pelos aplicativos e para o envio de mensagens de texto de íntimas 89% preferiram os aplicativos e 87% os SMS/MMS.

Os resultados revelam então três conclusões importantes.

–        A mudança do significado do termo sexting, se antes estava circunscrito ao envio através de celular hoje são outros canais os preferidos pelas pessoas usuárias, principalmente os aplicativos de troca de mensagens e as redes sociais.

–        Os homens enviam mais sexting do que as mulheres. E mais, mandam conteúdos que podem gerar mais riscos, pois a facilidade na identificação de uma pessoa em uma foto ou vídeo faz com que essa pessoa também seja um alvo mais fácil para as ridicularizações.

–        O sexting pode derivar em cyberbullying ou chantagem. O fato de as pessoas tirarem fotos ou filmarem vídeos de outras pessoas, até sem a permissão delas, pode ser uma arma para uma possível e posterior chantagem. Por sua vez, se as pessoas ficam repassando as fotos e vídeos íntimas alheias que receberam de uma pessoa que está sofrendo cyberbullying estarão acrescentando e piorando a situação.

Mais informações sobre a pesquisa

Rússia: 450 meninas vítimas de um sextorsionista nas redes sociais

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A polícia de Moscou anunciou na terça-feira ter detido a um homem de 29 anos, suspeito de ter abusado a mais de 450 meninas através de internet, obrigando-as mediante chantagem (sextorsão) a efetuar atos sexuais ante sua câmera web.

Segundo o explicado pela polícia, o acusado entrava em contato nas redes sociais com meninas dentre 8 e 13 anos fazendo-se passar por uma mulher que lhes propunha uma sessão de fotos para uma revista de moda.

Primeiro pedia-lhes despir-se parcialmente ante sua webcam e gravava as cenas, para mais tarde fazer-lhes chantagem, ameaçando-as com publicar as fotos na Internet se não se despiam por completo e realizavam atos obscenos.

Fonte: Violencia Sexual Digital

[Vídeo em espanhol] Sextorsión: una forma de violencia sexual digital

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Noticias acerca da sextorsão em TelasAmigas.

Adolescente francês suicida-se após sextorsão «express» na Chatroulette

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Tudo aconteceu muito rápido. Gauthier, de 18 anos, voltou da escola e começou a falar com uma desconhecida por Internet no serviço de videochat com desconhecidos Chatroulette. Pouco depois, começaram as confidências, a sedução e ambos terminaram se mostrando através da câmera web. Também se fizeram amigos em Facebook. Então, o tom da garota mudou radicalmente; ameaçou o garoto com difundir um vídeo com a captura do sexcasting que acaba de fazer, onde aparecia nu. «Tenho um vídeo pornô teu. Se não me dá 200 euros, destruirei tua vida», lhe escreveu. Em uma semana mais tarde, Gauthier tirou-se a vida.

Este acontecimento lembra a trágica morte de Amanda Todd. Esta canadense de 15 anos foi vítima de ameaças em Internet após que enviasse, pela webcam, a imagem de seus peitos nus a um desconhecido (feito conhecido como flashing). Sua morte provocou um grande impacto na sociedade canadense. «Tinham-nos falado da canadense que se suicidou após ter ensinado seus peitos», contam os pais de Gauthier ao diário Le Parisien. «Canadá está bem longe, achávamos que algo assim não aconteceria nunca aqui. Mas pode-lhe passar a qualquer», acrescentam.

Fonte: Riesgos en Internet

Sexting: «Pediu-me que posasse nua em frente à webcam»

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Com 12 anos Beatriz (nome fictício) se refugiou nas redes sociais. A situação em sua casa não era muito boa e os problemas econômicos complicavam a convivência. Ela desfrutava criando novas amizades, com as que compartilhava pensamento, preocupações e risos. “Passava longas horas em frente ao computador batendo papo com uns e outros. Encontrei a uma suposta garota com a que falei muito até que lhe dei meu e-mail. Ela me disse que me ia fazer um casting para uma série de televisão que gostava muito e eu acreditei”, recorda. “Então pediu-me que me mostrasse adiante da webcam E eu fiz-o. “Ao princípio estava com roupa e depois, pediu-me que me fosse despindo até que lhe mostrei o peito quase sem me dar conta. Neguei-me quando me pediu mais”.

Esta negativa não gostou a sua interlocutora, quem a começou a ameaçar: “Disse-me que repartiria fotos e vídeos meus por toda a rede se me negava a lhe mostrar todo o corpo nu, e que iria a por minha família. Ao final, cedi a suas chantagens por medo. Até que em um dia decidi apagar o Messenger e deixar de lado o computador”. Disso faz já quatro anos.

Com mal 12 anos, Beatriz experimentou em primeira pessoa (como muitas outras garotas e garotos) os perigos do sexting (envio de imagens de conteúdo sexual autoproduzido e enviado através de uma mensagem de celular ou de Internet). “O problema é que os adolescentes não vêem nada mau nisso e, no entanto, pode ter consequências muito sérias”, explicam desde TelasAmigas, iniciativa para a promoção do uso seguro das novas tecnologias.

Onde pode terminar essa imagem? “Encontramo-las em computadores de pederastas, ou no portátil de um vizinho que começa a lhe pedir dinheiro em troca de não lhes o dizer a seus pais (sextorsão)”, assinalam fontes policiais.

O sexting é um problema “sério e difícil de combater porque os jovens não são conscientes até que sofrem as consequências”, assinala Araiz Zalduegi, educadora da organização TelasAmigas, quem faz questão de sua extensão “não generalizada, embora sim importante”, segundo confirmam múltiplos estudos. No entanto no Brasil, casos como o de Beatriz sim parecem ser comuns.

Fonte: Sexting.wordpress.com

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Suspeito pela sextorsão a Carolina Dieckmann é menor de idade

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Entre os responsáveis por invadirem o site da Cetesb e divulgarem fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann, que segundo as investigações são do interior de Minas Gerais e São Paulo, acha-se um menor de idade quem seria o responsável por pedir R$ 10 mil para que as fotos não fossem publicadas.

Uma varredura no computador de Carolina constatou que foram roubados 60 arquivos dela. De acordo com o advogado dela, Carolina disse que não sabia que as fotos íntimas estavam no computador que ela mandou para o conserto.

De acordo com o advogado, Carolina havia procurado a polícia antes da publicação das fotos, que orientou a não divulgar a chantagem e a responder aos e-mails para montar uma emboscada. Entretanto, o chantagista enviou as fotos para dois sites pornográficos na Inglaterra e nos EUA, que publicaram as imagens. Em 15 deste mês tambem foram publicadas no site público da CETESB, substituindo a página de início.

O advogado da atriz notificou o Google para bloquear a busca por essas fotos e conseguiu que os sites pornográficos que inicialmente a publicaram, as retirassem do ar.

A atriz tambem viu no mesmo caso creakeada a sua conta na rede social Twitter.

Fonte: R7