Sexting no Brasil: envio e publicação

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Segundo a definição primigênia de sexting, a qual também foi utilizada no percurso da pesquisa “Sexting, uma ameaça desconhecida”, esta prática consiste no envio de mensagens com conteúdo sexual, principalmente fotos ou vídeos, produzidos pela própria pessoa remetente ou com sua permissão, a outras pessoas através do celular.

Porém, como afirma Jorge Flores, Diretor e Fundador de TelasAmigas, “este termo tem se ampliado. Hoje utiliza-se também para se referir à mera transmissão de imagens de alto conteúdo sexual entre celulares sem a intervenção do protagonista ou para proporcionar imagens sensuais a terceiras pessoas, embora não tenham sido tiradas nem enviadas pelo smartphone”. Mudanças no significado que atingem principalmente ao sujeito que bate a foto ou filma o vídeo e aos canais de envio ou publicação das imagens.

No Brasil 27% das pessoas que responderam à enquete afirmaram possuir fotos ou vídeos envolvendo nudez, mas a porcentagem da população que publicou-as nas suas redes sociais é menor, 9% as subiram aos seus perfis, mesmo de forma privada ou restrita para seus contatos específicos. Aqui o comportamento de homens e mulheres é diferente. Eles possuem tanto mais fotos quanto mais vídeos envolvendo nudez do que elas, 21% frente a 16% e 11% frente a 9% respectivamente. Mas considerando apenas as imagens realizadas por outras pessoas a proporção também é alta e diferente segundo o sexo, 9% delas e 11% deles tiveram fotos tiradas por outras pessoas e 4% delas e 6% deles foram filmadas.

Mas o consentimento é uma variável muito importante a ter em conta. Pois 3% dos homens e das mulheres tiveram tiradas fotos de conteúdo sexual sem sua permissão e 1% delas e 3% deles foram filmados da mesma forma. O fato dessas imagens terem sido feitas sem sua permissão revela um grande risco de posterior divulgação, pois se a opinião da pessoa que aparece nas imagens não foi levada em conta na hora da sua realização, não parece existir razão para que o seja no futuro.

Contudo, também não se deve tirar importância do fato das pessoas tirarem fotos ou vídeos delas. No início parece uma prática sem risco, mas casos como o que aconteceu com a atriz Carolina Dieckmann –cujas fotos foram vazadas do seu computador e divulgadas na internet- revelam como sempre que estejam armazenadas podem ser acessadas por outra pessoa, mais ainda quando estiverem no celular, aparelho mais susceptível de ser perdido ou furtado.

Com respeito ao envio de sexting, os homens praticam-no muito mais do que as mulheres. Quase a metade, 44% deles, mandou fotos, vídeos ou mensagens de conteúdo sexual, enquanto a porcentagem de mulheres foi 11 pontos menor. Elas apenas superam os homens no envio de mensagens de texto de conteúdo sexual próprio, 72% frente a 67%, mas quando são de outras pessoas já mandam menos, 24% frente a 25%.

Enquanto ao envio de fotos e vídeos, sejam das próprias pessoas remitentes ou de outras, eles enviam mais do que elas. 32% dos homens afirmaram ter enviado fotos suas nus, 32% ter mandado fotos de outras pessoas nuas, 17% encaminharam vídeos próprios de conteúdo sexual e 24% vídeos de terceiras pessoas. Elas afirmam não mandar tanto sexting e a porcentagem é especialmente menor em relação aos vídeos, 9% delas mandou vídeos nuas percentagem que se repete quando aqueles eram de outras pessoas. As mulheres também enviam mais fotos, 29% mandaram imagens próprias de conteúdo sexual e 10% fotos de outras pessoas.

Os canais de envio preferidos dependem do tipo de conteúdo que esteja se mandando. Para as fotos íntimas 49% escolheram aplicativos de envio de mensagens e 48% as redes sociais, para os vídeos íntimos 25% optaram pelas redes sociais e 24% pelos aplicativos e para o envio de mensagens de texto de íntimas 89% preferiram os aplicativos e 87% os SMS/MMS.

Os resultados revelam então três conclusões importantes.

–        A mudança do significado do termo sexting, se antes estava circunscrito ao envio através de celular hoje são outros canais os preferidos pelas pessoas usuárias, principalmente os aplicativos de troca de mensagens e as redes sociais.

–        Os homens enviam mais sexting do que as mulheres. E mais, mandam conteúdos que podem gerar mais riscos, pois a facilidade na identificação de uma pessoa em uma foto ou vídeo faz com que essa pessoa também seja um alvo mais fácil para as ridicularizações.

–        O sexting pode derivar em cyberbullying ou chantagem. O fato de as pessoas tirarem fotos ou filmarem vídeos de outras pessoas, até sem a permissão delas, pode ser uma arma para uma possível e posterior chantagem. Por sua vez, se as pessoas ficam repassando as fotos e vídeos íntimas alheias que receberam de uma pessoa que está sofrendo cyberbullying estarão acrescentando e piorando a situação.

Mais informações sobre a pesquisa

Nos dias 16 e 17 de maio ocorrerá o II Encontro Internacional sobre o Uso das Novas Tecnologias da Informação

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O II Encontro Internacional Sobre o Uso de Tecnologias da Informação por Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos, organizado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, celebrara-se no Campus de Higienópolis, em São Paulo.

A conferência continuará com o trabalho inicializado na primeira edição do Encontro celebrada em 2012 na cidade do Rio de Janeiro. Na ocasião debateu-se sobre ética, segurança, saúde e educação no uso da tecnologia pelas crianças e adolescentes e contou com a participação de Jorge Flores, fundador e diretor de TelasAmigas, que ministrou uma palestra sobre “Privacidade, Sexting e Grooming”.

Dessa vez, e querendo fazer da rede uma ponte de diálogo entre gerações, o Encontro  focará principalmente em perigos e riscos na internet (cyberbullying, grooming, delitos cibernéticos…), saúde e internet, educação digital e inclusão social e ética e valores na era digital.

O Encontro contará com a participação de especialistas nacionais e estrangeiros.

As inscrições podem ser feitas aqui.

 

Brasil é o país que mais utiliza as redes sociais do mundo

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Segundo um estudo da empresa consultora comScore publicado em fevereiro desse ano as brasileiras e os brasileiros são a população que mais utiliza as redes sociais do mundo. A média está em treze horas mensais de uso.

Perante a Argentina, pais com maior número de perfis no Facebook, com 8,7 horas mensais de utilização das redes sociais, o Brasil destaca-se junto com o continente latino-americano, o qual supera os demais com a maior média regional de conexão às redes sociais, 9,5 horas frente às 5,1 horas mundiais.

A explicação da consultora é a sociabilidade da população latino-americana. Adjetivo que se eleva então ao máximo entre os brasileiros e as brasileiras. Mas seu grau de sociabilidade parece se dividir entre diferentes redes sociais, pois é a população argentina a que tem um maior número de perfis no Facebook. No Brasil utiliza-se também o Orkut junto com outras redes sociais como Twitter.

 

Fonte: Artigo no Eldiario.es, 9 de abril de 2013, http://www.eldiario.es/turing/Facebook-obsesion-latinoamericanos_0_118638283.html

 

Ergonomia e saúde no uso de computadores por crianças

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(Um artigo de Jorge Flores Fernández, diretor de TelasAmigas.)

Conectados ou não a Internet, crianças e adolescentes passam muitas horas em frente ao computador a cada semana sem que prestemos atenção em como eles o fazem e suas possíveis consequências para a saúde, em particular, problemas de visão e musculares.

Em TelasAmigas abordamos os diferentes tipos de telas e seu uso desde um ponto de vista integral e, especialmente, desde o sentido de saúde completa tal como define a OMS, Organização Mundial da Saúde: “é um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não  somente a ausência de condições ou enfermidades”.

A partir desta perspectiva estamos trabalhando desde o nosso inicio, em 2004, com maior ênfase nos riscos que poderiam supor danos psicológicos, que eram menos conhecidos e, portanto, menos evidentes: conteúdos nocivos, cyberbullying, aliciamento, sexting, perda de privacidade… Entretanto, não esquecemos a visão ergonômica do assunto, ainda que neste caso ignoramos os riscos psicossociais ligados especialmente ao estresse e a ansiedade.

Durante mais tempo, em mais lugares, desde idades mais precoces.

Ergonomia computadorCrianças e adolescentes vêm aumentando sua dose diária de contato com as telas de forma vertiginosa. Os computadores estão ganhando o espaço doméstico e também o âmbito escolar. Além disso, a idade de início do seu manuseio está em declínio contínuo enquanto estão se tornando imprescindíveis para o seu dia-a-dia e sua vida social. Entretanto, não estamos prestando atenção em que seu uso seja adequado desde um ponto de vista da saúde física, onde caberia apontar especialmente os problemas musculares e os visuais.

O uso do computador pode causar problemas de saúde?

Desde o âmbito da prevenção de riscos no trabalho,  aqueles trabalhadores que usam monitores (tecnicamente denominadas PVD, telas de visualização de dados) por mais de 4 horas ao dia ou 20 horas por semana devem ser submetidos a orientações específicas de monitoramento da saúde e seu posto de trabalho deve ser examinado e adequado. Isto porque considera-se que este período pode causar-lhes danos ao longo do tempo, se não existir condições adequadas. E as crianças e os adolescentes? Talvez não atinjam esses parâmetros limite, mas é certo que estão em fase de desenvolvimento e seus danos podem ser maiores. Eles são chamados de   nativos digitais mas não pensemos que já estão preparados para ficarem colados a uma tela  de forma imune.

Alguns dados sobre os efeitos do uso intensivo e inadequando de computadores

Problemas visuais e oculares

  • Conforme a publicação da revista Scientific American, não manter uma distancia adequada com a tela, e abusar de seu uso sem descanso pode acarretar problemas de tensão ocular e no futuro, causar glaucoma. A falta de condições adequadas (de luz, distância da tela, evitar descansos…) provoca também a mudança da forma como se pisca (cada vez se pisca menos para ser mais produtivo na hora de visualizar rapidamente o conteúdo da tela). Deve-se piscar de 12 a 15 vezes por minuto, entretanto os usuários de computadores tendem a piscar 4 ou 5 vezes por minuto.
  • Outras fontes alertam sobreo aumento dos casos de miopia em 66% desde a introdução dos computadores pessoais.

Os problemas de visão pelo uso do computador afetam a mais de 90% dos usuários que utilizam o monitor por 3 horas ou mais ao dia segundo cita este estudo sobre consumo de telas.

Problemas osteomusculares

  • Segundo um estudo, 50.9% dos meninos e 69.3% das meninas já sofreram de dores nas costas antes de completar os 15 anos, uma circunstância que ao chegar à idade adulta pode tornar-se crônica e inclusive afetar sua vida profissional.
  • O STC, ou Síndrome do Túnel do Carpo, dores no pulso associada a movimentos repetitivos, começa aparecer em crianças de idade precoce. É raro em menores de 10, mas cada vez mais frequente em adolescentes, segundo informa este artigo.
  • 25% dos espanhóis maiores de 16 anos sofrem dor lombar ou cervical, segundo a pesquisa Europeia de Saúde na Espanha de 2009.

Cultura saudável no uso de dispositivos eletrônicos com telas

Embora existam vários dispositivos (videogames portáteis, smartphones, tablets, desktops) e cada qual tem suas próprias recomendações, fundamenta o comum denominador da cultura da saúde associada com as condições ergonômicas no uso de telas. Consideramos que em nossa sociedade, nas famílias e os centros educativos, não existe conhecimento suficiente e sensibilidade sobre este assunto que afeta as crianças. No entanto, em TelasAmigas temos o compromisso de ir mais além e que sejam os próprios protagonistas quem tomem consciência da importância de uma boa postura, da orientação do monitor, da comodidade do assento… sabendo adaptar por si só as condições, mudanças, em cada contexto de uso.

Para isso recorremos, como é habitual, à narração audiovisual, sem dramatismos e com humor, produzindo esta sequência animada:

Seu uso com menores de 8 a 11 anos vem demostrando como tomam parte da historia e se posicionam apoiando à criança que protagoniza a cena. Conhecida a dinâmica de tomadas falsas,inclusive aplaudem quando a cena é bem feita após as recriminações do adulto, um severo diretor de cinema.

Sexting, uma das principais preocupações nas escolas de Grã-Bretanha

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Segundo um levantamento do Departamento de Educação da Grã-Bretanha três mil crianças foram afastadas no período letivo 2010/2011 das escolas daquele país por comportamento sexual impróprio. Os principais motivos das expulsões abrangem o bullying sexual, assédios e ataques e até um comportamento obsceno.

Considera-se a internet como um dos principais fatores que acelera a idade de iniciação nos contatos sexuais e que, além disso, influencia a forma das crianças e adolescentes se relacionarem, especialmente no âmbito sentimental e/ou sexual. Exemplo disso é a já rotineira naquele país prática de sexting, é dizer, do envio de mensagens de conteúdo erótico ou envolvendo nudez –principalmente vídeos ou fotografias- bem produzidos pela própria pessoa bem por outra com o consentimento daquela e mandadas para uma terceira, geralmente através do celular.

O sexting é, segundo o levantamento, uma das principais preocupações nos colégios da Grã-Bretanha. Fenômeno cujas alarmante normalização já deu a conhecer o canal de televisão britânico Channel4 na reportagem A geração do sexo: fotos explicitas, a norma entre adolescentes (Generation sex: explicit pics ‘the norm’ for teens, em inglês)  publicada em dezembro de 2012. Nesta mostrava-se como alguns conteúdos de fácil acesso na internet, como o pornô, influenciam os relacionamentos entre crianças, de um lado, criando um sentimento de superioridade entre os meninos, que chegam até a exigir fotos envolvendo nudez delas, e, do outro, gerando patrões de beleza inatingíveis.

 

Fonte: artigo no The Christian Post Escolas britânicas afastam 3 mil alunos por ano por conduta sexual imprópria, de 2 de abril de 2013, e reportagem do Channel4 Generation sex: explicit pics ‘the norm’ for teens, de 11 de dezembro de 2012.

 

Para os adolescentes brasileiros o Facebook é a rede social mais propensa ao cyberbullying

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Redes sociais e ciberbullying no BrasilA eCGlobal.com, painel de pesquisa online, realizou uma pesquisa sobre o cyberbullying e os riscos da internet para os jovens. Foram entrevistados crianças e adolescentes brasileiros com idades entre 8 a 17 anos, que tiveram a permissão dos pais para responder à pesquisa. Dentro da amostra, 72,20% dos entrevistados sabiam o que era cyberbullying e conheciam os meios pelos quais esta ação é praticada. Outro dado que chamou atenção foi o fato de que 42,52% dos jovens e adolescentes brasileiros alegaram que já sofreram algum tipo de humilhação na internet: o modo de cyberbullying que mais temem é verem publicadas fotos íntimas suas.

Segundo a pesquisa, para os adolescentes brasileiros, o Facebook é a rede social mais propensa ao cyberbullying (53%), seguido pelo Twitter (16%) e o YouTube (14%). Facebook também é a mais utilizada por 81% dos jovens.

Fonte: BlogMidia8

Plano de formação nacional em Portugal sobre dependências na Internet e outras TIC

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O português Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIN) vai desenvolver um projeto de formação de educadores para alertar para os perigos da utilização da Internet e ensinar a usar de forma adequada as novas tecnologias. Este projeto tem estado a ser desenvolvido há cerca de um ano numa dezena de escolas da região de Lisboa e Vale do Tejo e que, agora, o objetivo é torná-lo nacional.

Os psiquiatras do centro têm já vários casos de doentes com dependência das redes sociais, que chegam a passar 12 horas diárias on-line: “mesmo nas redes sociais que podem parecer mais inofensivas do ponto de vista da proteção da privacidade e dos riscos de pedofilia há aspetos complicados relacionados com o que é a essência de dependência”, sublinharam.

“Há também casos de alterações de ritmos de sono e vigília decorrentes desta adição. No caso do jogo on-line, por exemplo, esses ritmos podem ser completamente pervertidos quando se joga com parceiros de outros continentes”, exemplificou o responsável do CADIN quem indica até que já teve casos de jovens que dormem com o telemóvel ou com o tablet, com medo de que “qualquer coisa aconteça sem que estejam ligados”.

Recomendam que em casa, o computador deve estar à vista de todos e a criança que joga ou navega na Internet deve estar acompanhada de um adulto.

Para os psiquiatras, a questão da dependência e adição deve ser sempre vista e tratada em conjunto com a patologia mental. Mesmo sendo uma dependência sem substância (como o caso do jogo, da Internet ou das compras), é uma situação em que há um desejo de conseguir uma recompensa imediata e uma incapacidade de controlar esse comportamento. Sublinham assim a importância de tratar a patologia associada aos consumos aditivos, de forma a evitar recaídas ou transferência para outras dependências.

Fonte: RTP

O sexting já é algo rotineiro para os garotos britânicos de 13 e 14 anos, diz estudo

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Um novo estudo qualitativo sobre o sexting realizado pela Universidade de Plymouth (Reino Unido) e o centro Safer Internet do Reino Unido com o apoio da NSPCC entre 120 estudantes de 13-14 anos, e 30 de 10-11 anos, deu as seguintes conclusões:

  • O sexting é uma actividade normalizada e rotineira para as crianças de 13-14 anos.
  • Os garotos não pedem ajuda aos adultos porque temem que não se aceite seu comportamento.
  • Os garotos acham que os problemas do conteúdo sexual (tanto pornográfico como o que eles mesmos geram através do sexting) deveriam ser tratados na escola e de fato mostram interesse por falar disso. No entanto, não costumam falar com seus professores quando lhes surge algum problema deste tipo.
  • Os menores de 10-11 anos parecem estar a salvo do conteúdo sexual na Internet.

A diretora da National Society for the Prevention of Cruelty to Children (NSPCC) diz que se começa a constatar que o pornô duro (hardcore porn) se consome de forma regular e rotineira entre os menores, e isto está levando a que gerem e compartilhem sexting que imite o tipo de comportamento sexual reproduzido nesse gênero. Incide em que há que ensinar aos menores a que se respeitem eles mesmos, e a que respeitem os demais e que a educação sobre estes assuntos deve começar na escola primária.

Fonte: Medical Xpress vía Riesgos en Internet.

Dicas animadas para a prevenção do sexting (em espanhol)

Governo dos EUA pressiona o Vale do Silício para garantir a privacidade das crianças na internet

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Washington pressiona o Vale do Silício para garantir a privacidade das crianças na internet, mas o Vale revida.

Apple, Facebook, Google, Microsoft e Twitter foram contrários a determinados trechos de uma iniciativa federal americana para aumentar a proteção à privacidade infantil na internet. Além disso, gigantes da mídia como Viacom e Disney, operadoras de TV a cabo, associações de marketing, grupos de tecnologia e associações empresariais que representam fabricantes de brinquedos argumentam que as mudanças na lei propostas pela Comissão Federal de Comércio (FTC, sigla em inglês) serão tão onerosas que, ao invés de aumentarem a proteção na internet, ameaçarão impedir as empresas de oferecer sites e serviços voltados para o público infantil.

Porém, os produtos voltados para o público infantil não são a principal preocupação para o setor e para os reguladores. A grande questão por trás do conflito são os mecanismos de coleta de dados que possibilitam a existência do marketing digital em aplicativos e sites voltados para o público infantil – além de um debate sobre se essas práticas colocariam as crianças em risco.

Em 1998, o congresso aprovou a Lei de Proteção à Privacidade da Criança na Internet (COPPA, sigla em inglês), uma iniciativa para deixar os pais no controle da coleta e disseminação de informações particulares a respeito de seus filhos na internet. A COPPA exige que donos de sites recebam a autorização dos pais antes de coletar dados pessoais, como endereços físicos e de e-mail, de crianças com menos de 13 anos.

Agora, os reguladores federais estão preparando uma atualização da COPPA, argumentando que a lei não acompanhou os avanços do marketing comportamental, uma prática que utiliza data mining (mineração de dados) para adaptar as propagandas ao comportamento dos internautas. A FTC deseja expandir os tipos de dados que passarão a exigir o consentimento dos pais para que sejam coletados, incluindo sistemas de identificação persistente, como os códigos de identificação de computadores ou os números de cliente armazenados em cookies, caso sejam utilizados para a criação de anúncios voltados para crianças. A ideia é impedir que empresas criem dossiês que resumam a atividade online das crianças na internet ao longo do tempo.

Muitas outras propostas da FTC geraram protestos entre as empresas opositoras. Um exemplo disso é o plano da agência de solicitar a permissão dos pais de crianças menores de 13 anos antes de tirar fotografias e fazer gravações de áudio ou vídeo. A ideia faz sentido para alguns dos principais pesquisadores na área de privacidade, que afirmam que as tecnologias de reconhecimento facial poderiam permitir que estranhos identificassem e possivelmente contatassem as crianças.

Alessandro Acquisti, professor associado de tecnologias da informação e políticas públicas na Universidade Carnegie Mellon afirmou que as crianças encontram dificuldades para entender os riscos de longo prazo do compartilhamento de detalhes íntimos, como fotos de si mesmas.

O Facebook, que não permite a inscrição de crianças que afirmam ter menos de 13 anos, e o Twitter, que afirma que o serviço não é voltado para públicos menores de 13 anos, criticaram outra proposta da FTC: fazer com que terceiros sejam responsabilizados caso saibam ou tenham meios de saber que estão coletando dados pessoais em sites infantis.

Fonte: NY Times via R7 Notícias

Pesquisa no Brasil recolhe preocupantes dados sobre a segurança dos internautas mais jovens

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Após a análise de como vêem os pais e mães brasileiros a segurança de seus filhos em Internet, nos fixaremos hoje nos dados diretamente recolhidos dos meninos e adolescentes (9-16 anos) pelo inquérito TIC Kids Online.

  • Os equipamentos de maior risco para o acesso a Internet —por serem portáveis— como celulares, tablets e videogames son usados pelos menores para acederem a Internet num 21%, 3% e 2% respetivamente. No caso dos celulares, as crianças de 9 e 10 anos fazem este uso num 9% e vai crescendo com a idade o uso: 16% com 11 e 12 anos e chega a 29%-30% entre 13 e 16 anos. Por tanto praticamente um em cada 3 adolescentes brasileiros usa o celular para se conetar à Internet.
  • Quase a metade (47%) acedem a Internet todos ou quase todos os dias.
  • Mais da metade jogam games/jogos com outras pessoas na Internet, sendo mais frequente este uso nos mais jovens: entre 9 e 11 anos jogam com outros o 59-60%, sendo o 48% dos de 1-13 e 51% os de 15-16.
  • O uso da mensageria instantânea também é perigoso como meio potencial para contatar com desconhecidos, e o 54% de crianças entre 9 e 16 a empregam. É inquietante constatar que os mais jovens, os de 9-10 anos, a usam num 28%, e que só com um ano mais (11-12 anos) a utilizam já o 52%. As salas de bate-papo, sistemas com função semelhante, são utilizadas somente pelo 12%.
  • A webcam, outro elemento comunicacional de risco, não é tão usado mas a sua utilização não é despreciável: só 6% nos de 9-10 anos mas já 13% nos 11-12, 16% nos 13-14 e 18% nos 15-16 anos.
  • Com apenas 9 a 12 anos o 5-6% das crianças escrevem num blog ou outro sistema de diário online.
  • No contato com desconhecidos entre os 11 e 16 anos, 4% têm esses contatos pelo email, 7% pelas redes sociais, 4% pelas mensagens instantâneas e 16% em jogos online.
  • Nas redes sociais, entorno também onde se produzem numerosos problemas por exemplo de privacidade ou cyberbullying, estão presentes com perfil próprio: 42% dos de 9-10 anos, 71% de 11-12, 80% de 13-14 e 83% de 15-16 anos.
  • Entre as redes mais utilizadas, os mais novos preferem Orkut e os adolescentes, Facebook. É salientável que mais da metade dos de 9 a 12 anos têm perfil no Orkut. Algo menos da metade estão também no Facebook a essa idade, embora ser ilegal. Surpreende que só o 68-71% das crianças que têm estes perfís reconheçam que mentem na sua idade nestas redes. Como se cadastram, então?
  • Um 13% das crianças de 9-10 anos que possuem perfil nas redes sociais tem mais de 100 contatos. Aos 11-12 anos já é o 38%. Nos adolescentes essa cifra aumenta notavelmente: o 72% dos de 15-16 anos tem mais de 100 contatos.
  • A privacidade dos que têm estes perfís está configurada assim: têm perfil público o 25%, e de um jeito que os amigos dos amigos consigam ver o 31%, com apenas diferenças pela idade. Em total só o 42% tem o perfil totalmente privado.
  • É moi preocupante que os mais jovens revelem dados pessoais nestas redes: Aos 9-10 anos o 50% publica foto do seu rosto, 12% a escola onde estudam, 8% o seu endereço e 6% o seu telefone. Com a idade estas cifras mesmo aumentam: aos 11-12 anos são respetivamente o 67%, 24%, 9% e 11% quem revelam cada uma de essas informações.
  • Nas habilidades para a auto-proteção das crianças é destacável que apenas 49% de 11 e 12 anos sabem bloquear as mensagens de uma pessoa, ou seja, usar as configurações para impedir que uma pessoa entre em contato com ele/ela pela Internet. E só o 37% sabem a essa idades como mudar as configurações de privacidade no seu perfil de rede social.
  • 27% entre 9 e 12 anos não percebe que existam coisas más que possam incomodá-los na Internet.
  • Os pais têm conhecimento das atividades das crianças na Internet? 27% delas opinam que apenas um pouco ou nada.
  • 31% das crianças de 9 e 10 anos opinam que seus pais deveriam se interessar muito mais pelo que fazem na Internet.
  • As crianças de 9 a 16 dizem que só o 56% dos seus pais lhes deu sugestões de como se comportar na Internet com outras pessoas e só o 22% os ajudou quando alguma coisa na Internet os estava incomodando ou chateando.
  • Sobre a supervisão e controle parentais o 48% das crianças de 9-10 anos dizem que seus pais não verificam os sites que eles visitaram. O 59% dos pais dos de 9 a 16 anos não verificam os perfís de seus filhos ou filhas nas redes sociais e o 54% tampouco os contatos deles.
  • O 64% das crianças afirmam que não deixan de seguir as orientações dos pais sobre o uso da Internet.
  • Só o 5% diz que seus pais mudaram de atitude devido a uma experiência incômoda de seu/sua filho(a) na Internet.
  • A enquisa mostra claramente a importancia dos iguais na aprendizagem do uso seguro da Internet: um(a) amigo/a ajudou a 41% das crianças sugerindo formas de usar a Internet com segurança, 40% explicando porque alguns sites são bons e outros ruins, 31% sugerindo formas de como se comportar com outras pessoas na Internet, e 19% ajudou a criança quando alguma coisa na Internet estava incomodando ou chateando ele/ela. A intervenção dos amigos para estas funções cresce ao duplo com a idade. Os professores ajudam em proporções semelhantes ainda que com pouca diferença conforme a idade das crianças.
  • De onde procedem os conselhos que as crianças recebem sobre o uso seguro da Rede? 59% de outro parente, 55% dum(a) professor(a), 33% da televisão, rádio, jornais ou lojas, 20% das pessoas que trabalham com jovens ou pessoas ligadas à igreja, 16% de bibliotecários ou monitores de lanhouses, 14% de sites da Internet e 11% de provedores de serviços de internet. No 67% dos casos a principal origem dos conselhos é o parente ou o professor.

Fonte: CETIC