Governo dos EUA pressiona o Vale do Silício para garantir a privacidade das crianças na internet

Washington pressiona o Vale do Silício para garantir a privacidade das crianças na internet, mas o Vale revida.

Apple, Facebook, Google, Microsoft e Twitter foram contrários a determinados trechos de uma iniciativa federal americana para aumentar a proteção à privacidade infantil na internet. Além disso, gigantes da mídia como Viacom e Disney, operadoras de TV a cabo, associações de marketing, grupos de tecnologia e associações empresariais que representam fabricantes de brinquedos argumentam que as mudanças na lei propostas pela Comissão Federal de Comércio (FTC, sigla em inglês) serão tão onerosas que, ao invés de aumentarem a proteção na internet, ameaçarão impedir as empresas de oferecer sites e serviços voltados para o público infantil.

Porém, os produtos voltados para o público infantil não são a principal preocupação para o setor e para os reguladores. A grande questão por trás do conflito são os mecanismos de coleta de dados que possibilitam a existência do marketing digital em aplicativos e sites voltados para o público infantil – além de um debate sobre se essas práticas colocariam as crianças em risco.

Em 1998, o congresso aprovou a Lei de Proteção à Privacidade da Criança na Internet (COPPA, sigla em inglês), uma iniciativa para deixar os pais no controle da coleta e disseminação de informações particulares a respeito de seus filhos na internet. A COPPA exige que donos de sites recebam a autorização dos pais antes de coletar dados pessoais, como endereços físicos e de e-mail, de crianças com menos de 13 anos.

Agora, os reguladores federais estão preparando uma atualização da COPPA, argumentando que a lei não acompanhou os avanços do marketing comportamental, uma prática que utiliza data mining (mineração de dados) para adaptar as propagandas ao comportamento dos internautas. A FTC deseja expandir os tipos de dados que passarão a exigir o consentimento dos pais para que sejam coletados, incluindo sistemas de identificação persistente, como os códigos de identificação de computadores ou os números de cliente armazenados em cookies, caso sejam utilizados para a criação de anúncios voltados para crianças. A ideia é impedir que empresas criem dossiês que resumam a atividade online das crianças na internet ao longo do tempo.

Muitas outras propostas da FTC geraram protestos entre as empresas opositoras. Um exemplo disso é o plano da agência de solicitar a permissão dos pais de crianças menores de 13 anos antes de tirar fotografias e fazer gravações de áudio ou vídeo. A ideia faz sentido para alguns dos principais pesquisadores na área de privacidade, que afirmam que as tecnologias de reconhecimento facial poderiam permitir que estranhos identificassem e possivelmente contatassem as crianças.

Alessandro Acquisti, professor associado de tecnologias da informação e políticas públicas na Universidade Carnegie Mellon afirmou que as crianças encontram dificuldades para entender os riscos de longo prazo do compartilhamento de detalhes íntimos, como fotos de si mesmas.

O Facebook, que não permite a inscrição de crianças que afirmam ter menos de 13 anos, e o Twitter, que afirma que o serviço não é voltado para públicos menores de 13 anos, criticaram outra proposta da FTC: fazer com que terceiros sejam responsabilizados caso saibam ou tenham meios de saber que estão coletando dados pessoais em sites infantis.

Fonte: NY Times via R7 Notícias

Andrew Keen: «Há um claro crescimento do vício nas redes sociais, também no Brasil»

Desde que lançou seu primeiro livro em 2007, o britânico Andrew Keen se estabeleceu como um dos principais críticos das TIC, e mesmo foi conhecido como o Anticristo da Web. Se no primeiro livro, O Culto do Amador (2009), Keen criticava a ditadura da ignorância formada pelo conteúdo produzido por usuários amadores e narcisistas, o alvo agora com seu novo livro, Vertigem Digital: Por que as redes sociais estão nos dividindo, diminuindo e desorientando, é a superexposição provocada por Facebook, Twitter e outras redes sociais.

Keen argumenta que estamos substituindo nosso cotidiano pela vida em uma rede ilusória e digitalizada, e que as redes sociais nos transformam em pequenos Big Brothers de nós mesmos e que reputação e amizade viraram mercadorias: «estamos nos apaixonando por algo que não existe: por uma internet que tem algo de “social”, mas que não é realmente social. É exatamente o oposto.» Também fala de que o resultado das atualizações em tempo real no Facebook e no Twitter é a sensação de desorientação.

Segundo o autor, «estamos enfraquecendo nosso lado humano, banalizando nosso eu interior, transformando nossos sentimentos e emoções em mercadorias. Quanto mais nos expomos publicamente, mais narcisistas nos tornamos.» Assim e todo reconhece que as redes sociais têm algo de valor: podem se atacar desde dentro.

«A mídia social é um tipo de narcótico», afirma Keen. «Quanto mais a usamos, mais ficamos dependentes dela. Há um claro crescimento do vício nas redes sociais, tanto no Brasil quanto em qualquer outro lugar.»

Para ele no século 21 a Internet será «o lugar em que difundimos nossas identidades. Mesmo nosso estado físico vai se espelhar em nossa identidade digital É o que chama de «era do exibicionismo Também avissa de que estamos desistindo dos nossos segredos nas redes sociais. «Chegamos ao mundo da transparência radical. Nossos perfis no Facebook, Twitter e Google+ são nossas vitrines. Com esse comportamento extremamente narcísico, estamos virando marcas

Keen afirma sentir-se unido ao grupo de críticos que se tornaram céticos em relação aos benefícios da revolução digital, ainda que não os considera luditas nem tecnófobos. «Não queremos voltar à era analógica. Mas defendemos uma atitude mais moderada e equilibrada em relação ao impacto da tecnologia

Também diz que não podemos confiar em Google ou Facebook en quanto «não abdicarem do seu modelo de negócio, em que nos dão a tecnologia “de graça” e nós lhes entregamos nossos dados pessoais que eles vendem aos anunciantes. Esse modelo não funciona. Nós precisamos começar a pagar por nossas redes sociais.» Isto há fazer que «a elite (pessoas como eu) sempre terá acesso às informações mais confiáveis, mas as massas vão se submeter à “ditadura da ignorância”

Adverte preocupado de que a palavra social está a virar ideologia. «Todas as últimas inovações digitais recebem obrigatoriamente o carimbo de social. Mas a internet deve sempre preservar a autonomia do indivíduo», atributo que el diz não é respeitado pelas redes sociais. Como defensa propõe: «Precisamos conquistar um espaço na web onde possamos nos proteger da multidão e desenvolver nossas próprias ideias. É preciso praticar mais a autocensura e limitar o número de publicações pessoais nas redes.» Seu conselho aos usuários da rede é «mentir» nos seus perfís e no que publicam. Ele tem 20.000 seguidores no Twitter mas não está presente no Facebook, porque essa plataforma para el «não é confiável».

Fontes: Estadao & Info Online.

Máis sobre as redes sociais no blog de TelasAmigas.

27% dos usuários de celulares armazenam senhas no aparelho

Smartphones armazenam uma grande quantidade de dados pessoais valiosos, fotos, vídeos, e-mail, textos, dados de aplicativos, localizações de GPS e hábitos de navegação na internet, que está cada vez mais caindo nas mãos dos anunciantes, fabricantes de aplicativos, policiais e bandidos.

Uma pesquisa publicada recentemente pela por pesquisadores de leis da Universidade da Califórnia, em Berkeley, sugere que também há uma significativa desconexão entre a percepção de muitas pessoas da segurança e privacidade dos dados em seus smartphones e a realidade.

Alguns dos preocupantes dados da pesquisa:

  • 75% armazenam fotos ou vídeos no celular.
  • 27% gardam passwords de sites que visitam com o seu smartphone.
  • 24% gardam nel informações acerca de onde se encontram ou onde estiveram.

A maioria das pessoas entrevistadas para o estudo disseram acreditar que a policia precisa de permissão especial para acessar informações em um telefone. Na verdade, a polícia pode adivinhar uma senha para desbloquear um aparelho confiscado e pode representar o proprietário do telefone, enviando textos, se o telefone está desbloqueado. Nenhuma das atividades foi impedida pelos tribunais.

Os autores do estudo concluem que é precisso as autoridades presionarem mais duramente as empresas para evitar recolhida excessiva de informação pessoal de clientes e usuários.

Fonte: SSRN via Technology Review.